Revista Coletivo Cine-Fórum | v. 4 | n. 1 | p. 1-5 | 2026 | ISSN: 2966-0513  
Ensaio  
Submetido em: 28/11/2025 Aceito em: 10/01/2026  
NO ANTROPOCENO, AS ÁRVORES FALAM:  
VERMEULEN, ONTOLOGIA ORIENTADA A  
OBJETOS (OOO) E RICHARD POWERS  
Lucas Soboleswki Flores  
Doutorando em Letras  
(UFRGS), mestre em Letras,  
Cultura e Regionalidade  
(UCS), graduado em Letras -  
Português (Uniasselvi) e em  
Comunicação Social –  
Relações Públicas (UCS).  
Atua como redator  
publicitário e é professor dos  
cursos de Jornalismo,  
Marketing e Design do Centro  
Universitário Alves Faria  
(Unialfa).  
RESUMO  
Este ensaio discute a relação entre a Ontologia Orientada a Objetos (OOO) e a literatura, a partir da  
leitura de A trama das árvores (2025), de Richard Powers, em diálogo com as ideias de Pieter  
Vermeulen em Literature and the Anthropocene (2020). A OOO propõe que os objetos têm existência  
autônoma e agência própria, questionando a centralidade humana. Conceitos como Retirada  
Ontológica e Democracia Ontológica sugerem que humanos e não-humanos coexistem em uma  
mesma planície ontológica, sem hierarquias.  
No romance de Powers, árvores e redes subterrâneas de comunicação vegetal aparecem apenas como  
forças narrativas ativas que influenciam diretamente personagens humanos. Essa abordagem  
exemplifica a retirada ontológica, pois, mesmo com avanços científicos, a interioridade das árvores  
permanece em parte inacessível. A narrativa também dialoga com a democracia ontológica ao  
apresentar o protagonismo do não-humano, deslocando o humano do centro da narrativa.  
Vermeulen, entretanto, aponta limites na OOO. Ele critica o risco de fetichismo do objeto, que  
desconsidera contextos históricos e ecológicos, e alerta que a equiparação entre humanos e não-  
humanos pode enfraquecer a responsabilidade política frente à crise ambiental. Em Powers, isso se  
manifesta no uso de antropomorfismos poéticos, que atribuem às árvores características humanas,  
tensionando a proposta filosófica.  
Conclui-se que a obra de Powers atua como um experimento literário, ampliando o imaginário  
ecológico ao incorporar vozes não-humanas, mas também revelando os desafios de articular estética,  
filosofia e política. O diálogo entre literatura e OOO oferece caminhos para refletir sobre coexistência  
e ética no Antropoceno, tema bastante pertinente para a realidade contemporânea.  
Palavras-chave: Ontologia Orientada a Objetos. Antropoceno. Richard Powers. A trama das árvores.  
Pieter Vermeulen.  
IN THE ANTHROPOCENE, TREES SPEAK: VERMEULEN,  
OBJECT-ORIENTED ONTOLOGY (OOO), AND RICHARD POWERS  
ABSTRACT  
This essay discusses the relationship between Object-Oriented Ontology (OOO) and literature, based  
on the reading of The overstory (2025), by Richard Powers, in dialogue with Pieter Vermeulen’s  
ideas in Literature and the Anthropocene (2020). OOO proposes that objects possess autonomous  
existence and agency, challenging human centrality. Concepts such as Ontological Withdrawal and  
Ontological Democracy suggest that humans and non-humans coexist on the same ontological plane,  
without hierarchies.  
In Powers’ novel, trees and underground networks of vegetal communication emerge as active  
narrative forces that directly influence human characters. This approach exemplifies ontological  
withdrawal, as even with scientific advancements, the inner life of trees remains partially  
inaccessible. The narrative also engages with ontological democracy by presenting the protagonism  
of the non-human, displacing humans from the center of the story.  
Vermeulen, however, highlights the limits of OOO. He criticizes the risk of object fetishism, which  
disregards historical and ecological contexts, and warns that equating humans and non-humans may  
weaken political responsibility in the face of the environmental crisis. In Powers, this tension appears  
through poetic anthropomorphisms, attributing human characteristics to trees, which challenges the  
philosophical framework.  
Este artigo passou por avaliação por  
pares cega e software anti-plágio.  
In conclusion, Powers’ work functions as a literary experiment, expanding the ecological imagination  
by incorporating non-human voices while also exposing the challenges of articulating aesthetics,  
philosophy, and politics. The dialogue between literature and OOO offers pathways for reflecting on  
coexistence and ethics in the Anthropocene, a highly relevant theme for contemporary reality.  
Keywords: Object-Oriented Ontology. Anthropocene. Richard Powers. The overstory. Pieter  
Vermeulen.  
LICENÇA ATRIBUIÇÃO NÃO  
COMERCIAL 4.0 INTERNACIONAL  
CREATIVE COMMONS CC BY-NC  
DOI: doi.org/10.63418/wgdh1255  
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INTRODUÇÃO  
No campo do pensamento ambiental contemporâneo, a Ontologia Orientada a Objetos  
(OOO) ocupa um lugar significativo ao propor uma reconfiguração radical das hierarquias entre  
humanos e não-humanos. Em Literature and the Anthropocene, Pieter Vermeulen (2020)  
explora como essa vertente filosófica sugere que os objetos têm uma existência autônoma,  
irreduzível às percepções ou narrativas humanas. Para a OOO, os objetos não são apenas coisas  
passivas, mas entidades dotadas de agência e mistério, sempre parcialmente retiradas do nosso  
entendimento.  
A literatura contemporânea tem se revelado um espaço privilegiado para experimentar  
e tensionar tais ideias. Um exemplo eloquente é o romance A trama das árvores (2025), de  
Richard Powers, em que árvores, redes florestais subterrâneas e organismos não-humanos  
assumem papéis centrais, transformando-se em personagens quase “pensantes”, capazes de agir  
e influenciar os destinos humanos. Em Powers, a floresta não se limita a ser cenário ou  
metáfora, mas emerge como força viva e protagonista na narrativa.  
Este ensaio busca refletir criticamente sobre o diálogo entre a Ontologia Orientada a  
Objetos e a Literatura, investigando como a perspectiva apresentada por Vermeulen pode lançar  
luz mas também encontrar limites na complexa tessitura narrativa de Powers. No  
Antropoceno, época em que a ação humana se consolida como força geológica e planetária,  
imaginar árvores como sujeitos capazes de sentir, comunicar e narrar transcende o âmbito  
poético: torna-se questão fundamental para repensar as relações entre cultura, natureza e  
responsabilidade ética. Assim, este texto propõe explorar até que ponto a Ontologia Orientada  
a Objetos oferece ferramentas críticas para a leitura de A trama das árvores, e em que medida  
o romance, por sua vez, desafia ou amplia as premissas dessa filosofia.  
OOO EM VERMEULEN: CONCEITOS-CHAVE  
Vermeulen (2020) explora a OOO, destacando como essa filosofia questiona a  
centralidade do humano e propõe uma nova forma de pensar a realidade. Inspirado  
principalmente em Graham Harman e Timothy Morton, o autor apresenta conceitos  
fundamentais que redefinem as relações entre humanos e não-humanos.  
Um dos pilares da OOO é a Retirada Ontológica, noção em que os objetos têm uma  
dimensão essencial sempre inacessível às nossas percepções ou descrições, permanecendo  
parcialmente ocultos mesmo quando interagem conosco. Já a Democracia Ontológica afirma  
que humanos e não-humanos coexistem numa mesma planície ontológica, sem hierarquias que  
coloquem o humano no centro. A Autonomia das Coisas reforça que objetos não são meras  
projeções humanas, mas entidades com existência e agência próprias. Por fim, a OOO faz uma  
Crítica ao Correlacionismo, rejeitando a ideia de que só podemos conhecer o mundo através  
das relações entre sujeito humano e objeto. (Vermeulen, 2020)  
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Vermeulen (2020) ressalta que essas ideias oferecem à literatura novas possibilidades  
de representar o não-humano, deslocando o foco do humano e expandindo o imaginário  
narrativo para incluir a agência e a existência próprias dos objetos algo especialmente  
relevante no contexto do Antropoceno.  
CRÍTICA À OOO: POTÊNCIA E LIMITES  
Embora reconheça o valor inovador da OOO, Vermeulen (2020) não a adota sem  
reservas. Ele identifica riscos importantes nesse modo de pensar. Um deles é o que podemos  
chamar de “fetichismo do objeto”: a tendência de tratar objetos como entidades puras e isoladas,  
ignorando as mediações históricas, políticas e ecológicas que moldam a sua materialidade.  
Outro ponto de crítica é que, ao defender uma igualdade ontológica entre humanos e  
não-humanos, a OOO pode acabar apagando diferenças fundamentais, como o fato de que os  
humanos continuam sendo os principais responsáveis pela crise ambiental no Antropoceno.  
Para Vermeulen (2020), essa equiparação corre o risco de esvaziar responsabilidades políticas  
e éticas, tão urgentes no atual contexto planetário.  
Além disso, ele aponta que há certa abstração excessiva na OOO ao pensar objetos  
isolados, como se pudessem existir completamente apartados dos contextos históricos, culturais  
e ecológicos que os constituem e aos quais estão profundamente ligados. (Vermeulen, 2020)  
Ainda assim, Vermeulen (2020) vê na OOO um instrumento estimulante para a  
literatura, pois ela possibilita narrativas que deslocam o foco do humano e abrem espaço para  
imaginar outras formas de existência e agência. Para ele, a literatura pode transformar a OOO  
em prática estética, revelando dimensões do mundo material que escapam à percepção e ao  
discurso humanos.  
APLICAÇÕES E DIÁLOGO COM A TRAMA DAS ÁRVORES  
As reflexões de Vermeulen (2020) sobre a OOO encontram um terreno fértil de  
experimentação literária em A trama das árvores, de Richard Powers (2025). O romance não  
apenas retrata a crise ambiental do Antropoceno, mas encena, em sua estrutura e em seus  
personagens, as tensões e possibilidades que emergem do pensamento orientado aos objetos. A  
obra de Powers oferece exemplos concretos de como conceitos filosóficos podem ser  
dramatizados na literatura, permitindo que ideias como a retirada ontológica, a democracia  
ontológica e a autonomia do não-humano adquiram corpo narrativo. Contudo, a aproximação  
entre filosofia e literatura revela também limites e desafios, sobretudo quando se trata de evitar  
simplificações antropomórficas ou esvaziamentos políticos.  
REDES E RETIRADA ONTOLÓGICA  
Em A trama das árvores, Powers (2025) constrói uma narrativa que interliga vidas  
humanas às das florestas, mas o seu interesse maior recai sobre as intricadas redes subterrâneas  
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de comunicação vegetal, formadas por micélios, sinais químicos e trocas de memória entre  
organismos.  
Esse sistema biológico evoca o conceito de retirada ontológica da OOO, tal como  
exposto por Vermeulen (2020), pois revela dimensões da existência arbórea que permanecem  
fora do alcance da percepção humana.  
No romance, mesmo figuras científicas, como a bióloga Patricia Westerford, dedicadas  
a desvendar os segredos das árvores, reconhecem a impossibilidade de acessar plenamente a  
subjetividade vegetal. Há, na floresta de Powers, um núcleo essencial sempre inacessível, um  
real que se mantém retirado, em sintonia com a noção harmaniana de que os objetos guardam  
algo que nenhuma relação ou linguagem consegue esgotar.  
DEMOCRACIA ONTOLÓGICA E PROTAGONISMO NÃO-HUMANO  
A narrativa de Powers (2025) também se articula com a ideia de democracia ontológica,  
fundamental à OOO. No romance, as árvores surgem não apenas como pano de fundo ou  
metáfora, mas como entidades dotadas de agência, capazes de exercer influência real sobre  
acontecimentos humanos. Personagens humanos tão diversos quanto povos indígenas,  
cientistas, ativistas ou madeireiros se movem num enredo moldado por forças vegetais que  
transcendem a experiência humana.  
O texto de Powers (2025) provoca o leitor a questionar se árvores podem pensar, sentir  
ou agir, deslocando o humano do centro do sentido e da importância. A história contada se  
aproxima, assim, da proposta de Harman e Morton de um mundo ontologicamente plano, no  
qual todas as entidades têm direito à existência e relevância próprias  
CRÍTICA POSSÍVEL VIA VERMEULEN  
As afinidades entre Powers (2025) e a OOO, no entanto, não são isentas de tensões.  
Vermeulen (2020) chama atenção para a tendência à antropomorfização poética na literatura,  
risco presente em A trama das árvores, em que árvores ganham atributos quase humanos, como  
consciência, linguagem figurada ou memória. Essa escolha narrativa contrasta com a premissa  
da OOO de que a interioridade dos objetos permanece, por definição, inalcançável.  
Há também a questão da responsabilidade política: Powers (2025) constrói uma  
narrativa claramente preocupada com a destruição ambiental e busca mobilizar o leitor  
eticamente, enquanto a OOO, ao propor uma equivalência ontológica absoluta, pode acabar  
relativizando a culpa humana pela devastação do planeta.  
LITERATURA COMO EXPERIMENTO ONTOLÓGICO  
Podemos dizer que, A trama das árvores opera como um potente experimento literário  
de Ontologia Orientada a Objetos. O romance desafia o leitor a imaginar realidades não-  
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humanas e a perceber o mundo sob perspectivas que escapam à consciência antropocêntrica.  
Por meio de uma linguagem poética, descrições densas e uma estrutura narrativa fragmentada,  
Powers (2025) explora o que Vermeulen (2020) chama de affective affordances recursos  
que, na literatura, permitem criar experiências sensoriais e emocionais capazes de evocar a  
complexidade do mundo não-humano. Dessa forma, o autor revela como a literatura pode  
expandir nosso horizonte perceptivo, oferecendo modos de convivência e imaginação  
fundamentais para enfrentar as questões do Antropoceno  
CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A Ontologia Orientada a Objetos, tal como explorada por Vermeulen (2020), oferece  
um prisma inovador para a leitura literária, sobretudo quando aplicada a obras profundamente  
ecológicas como A trama das árvores. Apesar dos riscos de fetichização do objeto ou de  
neutralidade política que essa abordagem pode trazer, há nela um potente convite a expandir o  
imaginário literário e a incluir vozes não humanas como participantes legítimos das narrativas.  
No romance de Richard Powers, as árvores não apenas existem como elementos do  
cenário, mas emergem como entidades capazes de narrar, sentir e tecer redes simbólicas e  
biológicas que interligam mundos humanos e não-humanos. A trama das árvores realiza, assim,  
um experimento literário que coloca em prática muitas das provocações filosóficas que  
Vermeulen discute, transformando conceitos abstratos em matéria sensível e narrativa.  
Ler A trama das árvores à luz da Ontologia Orientada a Objetos revela-se, portanto,  
uma oportunidade valiosa para refletir criticamente sobre como a literatura pode fazer o não-  
humano emergir como presença viva no nosso imaginário. Nesse diálogo entre filosofia e  
ficção, abre-se um campo fértil para repensar as formas de coexistência, responsabilidade e  
imaginação necessárias para enfrentar as complexidades do Antropoceno.  
REFERÊNCIAS  
POWERS, Richard. A trama das árvores. São Paulo: Todavía, 2025.  
VERMEULEN, Pieter. Literature and the anthropocene. New York, NY: Routledge, 2020.  
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