Revista Coletivo Cine-Fórum | v. 4 | n. 1 | p. 1-17 | 2026 | ISSN: 2966-0513  
Relato de Experiência | Artigo | Temática Livre  
Submetido em: 27/12/2025 Aceito em: 20/02/2026  
Rafael Romão Silva  
Licenciado e Mestre em  
Cinema e Audiovisual  
(PPGCINE) pela  
Universidade Federal  
Fluminense, doutorado em  
Educação pelo Programa de  
Pós-Graduação em Educação  
(PROPED) da Universidade  
do Estado do Rio de Janeiro.  
Foi professor de Artes no  
Ensino Básico na Secretaria  
Municipal de Educação da  
cidade do Rio de Janeiro até  
fevereiro de 2026.  
O QUE PODE O CINEMA EM UMA ESCOLA ONDE NÃO  
SE APAGA A LUZ? TATEANDO SEQUÊNCIAS  
DIDÁTICAS DE RECEPÇÃO FÍLMICA COM PÃO E BECO  
DE ABBAS KIAROSTAMI  
RESUMO  
Este trabalho aborda a Educação Audiovisual, reconhecendo sua crescente densidade no  
contexto da Cultura Visual e da escola. Alinha-se à pesquisa acadêmica que narra as relações  
entre audiovisual e educação a partir da experiência e da primeira pessoa, mobilizando autores  
como Larrosa Bondía, bell hooks e Conceição Evaristo. A pesquisa é uma escrita encarnada,  
motivada pela atuação do autor como Professor de Artes em dois CIEPs do Complexo da Maré,  
Rio de Janeiro. Em um contexto desafiador de limitações materiais, o estudo reflete sobre  
sequências didáticas que buscam desenvolver a espectatorialidade audiovisual como construção  
plástica e expressiva, fugindo da mera significação ou letramento. Adotando um anti-método  
pós-estrutural, a pesquisa constrói-se como um ensaio-imagem atento aos saberes-fazeres  
docentes. O foco prático reside em dispositivos pedagógicos criados a partir da exibição de  
filmes (como Pão e Beco, For the Birds e Maluum) seguidos de atividades expressivas, como  
desenhos em quadrinhos, criação de linhas do tempo e elaboração de cartazes/convites. Tais  
práticas visam a expressão dos estudantes, reconhecendo o cotidiano escolar como um campo  
que se impõe sobre qualquer pretensão de sucesso ou sistematização.  
Atualmente é bolsista Qulitec  
InovaUerj no Laboratório de  
Ensino de Arte/UERJ.  
Palavras-chave: Estudos do Cotidiano. Educação Audiovisual. Pesquisa Pós-Qualitativa.  
Relato Experiencial.  
WHAT CAN CINEMA DO IN A SCHOOL WHERE THE LIGHTS ARE NOT  
TURNED OFF? FEELING OUT DIDACTIC SEQUENCES OF FILM  
RECEPTION WITH BREAD AND ALLEY BY ABBAS KIAROSTAMI  
ABSTRACT  
This work addresses Audiovisual Education, recognizing its growing density within the context  
of Visual Culture and the school environment. It aligns with academic research that narrates the  
relationships between audiovisual media and education through experience and first-person  
perspectives, mobilizing authors such as Larrosa Bondía, bell hooks, and Conceição Evaristo.  
The research is an embodied writing, motivated by the author's work as an Arts teacher in two  
CIEPs in the Complexo da Maré, Rio de Janeiro. In a challenging context of material limitations,  
the study reflects on didactic sequences that seek to develop audiovisual spectatorship as a  
plastic and expressive construction, moving beyond mere signification or literacy. By adopting  
a post-structural anti-method, the research is constructed as an image-essay attentive to teachers’  
knowledges and practices. The practical focus lies in pedagogical devices created from the  
screening of films (such as Bread and Alley, For the Birds, and Maluum), followed by expressive  
activities such as comic drawings, the creation of timelines, and the design of posters/invitations.  
These practices aim to foster students’ expression, recognizing everyday school life as a field  
that imposes itself upon any pretense of success or systematic organization.  
Este artigo passou por avaliação por  
pares cega e software antiplágio.  
Keywords: Everyday Studies. Audiovisual Education. Post-Qualitative Research. Experiential  
Report.  
LICENÇA ATRIBUIÇÃO NÃO  
COMERCIAL 4.0 INTERNACIONAL  
CREATIVE COMMONS CC BY-NC  
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Relato de Experiência | Artigo | Temática Livre  
A PRISÃO DA EXPERIÊNCIA NA PESQUISA DE EDUCAÇÃO AUDIOVISUAL  
A Educação Audiovisual tem ganhado densidade experiencial conforme a  
Cultura Visual adentra o cotidiano da vida e da escola. Certamente não é necessário  
justificar a presença do audiovisual dentro das escolas, assim como não temos que  
fazer com os livros. Já são inúmeras as tradições de se pensar e propor o trabalho com  
o audiovisual na escola, embora sejam poucos os trabalhos que buscam sistematizar  
ou narrar as vertentes de um pensamento que já é plural sobre as relações entre  
audiovisual e educação. Rogério de Almeida (2017) é um deles, embora um tanto  
matricial; já Moira Cirello (2010) faz quase um censo das ações e projetos que  
trabalham sob tal interface em São Paulo. A estratégia hegemônica que se tem utilizado  
no âmbito da pesquisa acadêmica brasileira das possibilidades entre o audiovisual e a  
educação é aquela que mobiliza diferentes perspectivas de escrita do real a partir da  
primeira pessoa1 e que busca dar conta inicialmente do que se passou, do que  
aconteceu, do que ficou. São escritas documentais, que se realizam sob a influência de  
diferentes perspectivas teóricas que autorizam e encorajam a mobilização de si e de  
nós para a criação da pesquisa, tal como Marcel Tardif (2002), Jorge Larrosa Bondía  
(2016; 2018), Bell Hook (2017), Conceição Evaristo (2017) e seus conceitos como Saber  
Docente, Ensaio, Narração da Experiência, Teorizar em Primeira Pessoa, Escrita  
Encarnada e Escrevivência. Tudo dentro do que Donna Haraway (1995) aborda dentro  
dos Saberes Localizados.  
Dentro de tal contexto de pesquisa, aqui me encontro, novamente, preso nas  
reflexões motivadas pelo que (me) ocorreu, movido pela experiência do acontecimento  
que me toma de assalto e me dá uma intuição de que eu conseguiria escrever algo a  
partir de tal arrebatamento. Em uma relação de amor e ódio com a experiência, que  
sempre escapa, que nunca é plenamente apreensível pelas escritas, mas apostando que  
sempre outra experiência surge a partir da escrita e da leitura, insisto nesta escrita.  
Aqui tento enfrentar mais uma virada que ocorreu em minha vida, a de ser  
contratado para atuar como Professor de Educação Básica (primeiro ao nono ano) no  
bairro de Rubens Vaz, o CIEP Hélio Smidt; e outra no bairro de Nova Holanda, o CIEP  
Elis Regina, ambas na área da Maré, Rio de Janeiro/RJ. Busco colocar em palavras o  
que me ocorreu ao tentar utilizar filmes no cotidiano das aulas. A partir de tais  
reflexões, motivadas por uma sequência didática que se construiu nas primeiras  
semanas de trabalho, busco refletir sobre as possibilidades de trabalhar a  
espectatorialidade audiovisual na sala de aula através da expressão plástica dos  
próprios estudantes, e não diretamente mediante processos de significação ou  
1
Isaac Pipano (2019) e Clarisse Alvarenga (2023) são exemplos.  
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letramento. Ou seja, antes mesmo de conversar sobre os filmes, de falar sobre eles:  
desenhar.  
ANTI-MÉTODO  
Sob um paradigma pós-estrutural, falar de método é contraditório. Elizabeth  
Adams St. Pierre (2018) aborda a grande incongruência das pesquisas  
pós-estruturalistas (que se baseiam em perspectivas de autores como Foucault e  
Deleuze, por exemplo) que ainda usam ferramentas do pensamento estrutural. A  
concepção de método está ligada à perspectiva estrutural. Virginia Kastrup (2014)  
inverte a etimologia para hodos-metá: “o primado do caminhar que traça, no percurso,  
suas metas” para pensar em outras possibilidades. Essa visão se alinha aos Estudos do  
Cotidiano, que reconhecem os saberesfazeres docentes como conhecimento digno de  
pesquisa, atentos ao que está no porvir do cotidiano. Porém, diferente do que Nilda  
Alves (2001) aponta na narração como estratégia de escrita, o que Maurice Blanchot  
(2019) aponta: a narrativa é heroica e se funda em si própria, sendo o próprio  
acontecimento; o foco passa a ser outras possibilidades de escrita, mais instáveis e  
abertas, como o ensaio ou uma escrita que seja imagem. A pesquisa foi criada a partir  
de diferentes escritas, formando algo terceiro entre um autorretrato e uma paisagem  
das escolas e aulas. Em resumo, neste texto: vivi, anotei, tentei juntar a memória com  
o anotado na busca de sentido no meu trabalho docente cotidiano, tudo atravessado  
por uma inconstância de um avanço progressivo errático no tempo e deixado sempre  
para as últimas horas.  
FIOS DE EXPERIÊNCIAS QUE ME TROUXERAM ATÉ AQUI  
Estudei Licenciatura em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal  
Fluminense, um dos poucos cursos de graduação que existem dedicados ao  
ensino-aprendizagem do Audiovisual e à formação profissional voltada para a  
Educação Audiovisual. A Argentina possui alguns de tais cursos, nomeados  
Profesorados en Artes Audiovisuales, enquanto no Brasil há dois deles: o da UFF, criado  
em 2012; o da UERJ, criado em 2025. Desde o ano de meu ingresso, 2013, trabalho com  
escolas, ONGs, empresas e universidades com atividades de audiovisual e educação.  
Comecei por projetos de extensão e de iniciação à docência, passei pelo ensino na  
graduação e pós, desenvolvi projetos para diferentes organizações, mas nunca havia  
assumido o ensino regular de uma disciplina na educação básica, o que fiz após 12  
anos profissionais.  
Passei por muitos empregos, alguns temporários ao tempo de desenvolvimento  
do projeto; outros em que o projeto não foi renovado ou mesmo cancelado antes de  
abrir. De certo pode ter a ver com o meu perfil profissional ousado e minha  
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personalidade rebelde, que misturados com a minha alta força de vontade se tornam  
uma receita para o desastre nas relações profissionais corporativas, mas também foram  
anos de muitos resultados incríveis, onde cheguei a desenvolver materiais didáticos,  
videoaulas, orientei o desenvolvimento de centenas de vídeos estudantis, alguns com  
destaques em eventos internacionais da ONU, desenvolvi um projeto de graduação e  
o aprovei na CAPES e me arrisquei no ensino-aprendizagem de muitas áreas do  
audiovisual: roteiro, atuação, direção, montagem, linguagem, história, estética, além  
de coordenar e elaborar projetos, administrá-los etc. Trata-se de uma atuação  
polivalente, o que ao mesmo tempo que apresenta suas vantagens, como ter entrada  
em diferentes áreas e compreender as inter-relações entre elas, também nos coloca no  
lugar do sobrecarregamento, algo que já ocorre com o Ensino da Arte na educação  
básica.  
Assumi as aulas de Artes de dois Centros Integrados de Educação Pública  
(CIEP) da cidade do Rio de Janeiro, ambos na beira do Rio Ramos, altura da Maré, em  
um contrato temporário por um ano. Inicialmente, me alocaram em duas escolas, mas  
posso ser deslocado a qualquer momento. Ao enfrentar pela primeira vez quinze  
turmas de educação básica semanalmente, vi-me em uma sala de aula sem a menor  
possibilidade de se realizar projeções. Se em uma sociedade pautada pela Cultura  
Visual isto já é problemático, para uma pessoa que tem como formação a Licenciatura  
em Cinema e Audiovisual, como eu, é ainda pior.  
Em meu primeiro dia de trabalho, que ocorreu dois dias após a assinatura do  
contrato, um dia após o meu nome sair no Diário Oficial do Município, sem muitas  
delongas, fui direto para a sala de aula, como se eu soubesse exatamente o que fazer –  
o que quero dizer é que não me foi apresentado nenhum currículo, metodologia,  
projeto, enfim, nada. A vice-diretora entraria de férias, o diretor e a coordenadora  
pedagógica retornariam em breve das suas. Após o primeiro dia de sete tempos de  
aula, tive muitas certezas: da minha incapacidade, do alto grau de dificuldade, do  
desafio político-social gravíssimo, mas também certo de que, caso ficasse, pois  
necessitava (e necessito) do salário para viver, eu precisaria me equipar minimamente  
para poder fazer algo do meu jeito. Mais tarde, comprei o projetor mais barato que  
encontrei em um marketplace, um com entrada USB, o que se bastaria para a exibição  
de vídeos com pen drives, dispensando a presença de um computador na sala de aula,  
já que isso também não havia. Adicionei uma caixa de som ao kit, que também  
comprei, e me vi pronto para dar o meu tipo de aula, apesar de as salas de aula não  
possuírem interruptores ou como apagar a luz, o que exige que a projeção se adapte à  
ausência de contraste e excesso de luz direta é difícil de ver, tem que se esforçar e há  
dias de muito sol.  
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Sem diretrizes detalhadas sobre qual trabalho deveria ser feito, apenas as  
orientações gerais e abertas que os documentos oficiais oferecem, comecei com os  
quartos, quintos e sextos anos pela exibição de filmes. Porém, a partir da experiência  
do primeiro dia de trabalho, quando percebi que me era muito difícil realizar qualquer  
tipo de diálogo ou fala prolongada com as turmas, que o silêncio é algo muito raro,  
que as crianças falam todas por cima das outras e brigam a todo momento, percebi que  
teria muitas dificuldades em realizar rodas de conversa após os filmes com tais turmas,  
ainda mais explicar qualquer coisa sobre eles. Os filmes teriam que se expressar por si  
e poderiam fazer eco apenas a partir dos próprios estudantes até que eu conseguisse  
me conectar com a turma e abrir um caminho de diálogo coletivo entre eu e eles. Mas,  
tentando ver, o que ver?  
CURADORIA DE FILME NO/DO/COM OS COTIDIANOS ESCOLARES  
Quando se trabalha de forma comprometida com o estudo do Cinema e  
Audiovisual, quando o trabalho da docência é também uma pesquisa e uma criação, a  
escolha dos filmes a serem exibidos se torna um gesto de grande preocupação do  
planejamento didático não serve qualquer filme. Há uma camada de preocupações  
que podem ser levadas em conta e que, quando ignoradas, podem levar a traumas que  
reforçam a preocupação da curadoria no cotidiano escolar eu mesmo já exibi filmes  
e me arrependi. A curadoria pode ser planejada previamente, a partir de diferentes  
necessidades apresentadas por uma perspectiva didática, social, dos acontecimentos  
cotidianos etc.  
A curadoria também pode ser uma prática política, uma decisão de como  
conduzir as atividades, mas ela também pode resultar da própria exaustão do corpo  
docente, que desnudo de planejamentos prévios, ou imerso em planejamentos que  
deixam de funcionar, guia-se pelo dia-a-dia, pois cada escola em um espaço-tempo  
específico é uma teia de traumas-experiências de configuração única, resultado das  
brigas que aconteceram nos últimos tempos, dos acontecimentos midiáticos que  
construíram as subjetividades, ou seja, há ali agenciamentos característicos que  
configuram as possibilidades, e no caso configuram as possibilidades de recepção  
fílmica naquela comunidade. Então, se o trabalho com o cinema pretende ser algo além  
do que um mero preenchimento do tempo, um lance muito aberto de apostas, mais do  
que um reforço banal das questões e perspectivas já atreladas a tudo que se vê, mais  
até do que um reforço do fetiche que ali já se tem com algum tipo de gosto  
cinematográfico, a curadoria precisa ser tática, na concepção de Michel de Certeau  
(2014). Porém, a tática é do tátil, tateada, e às vezes não se sai muito do lugar, às vezes  
o tato se demora na criação de um sentido.  
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Às vezes, no cotidiano escolar, não dá tempo de pesquisar e pensar muito. Na  
verdade, o tempo para o planejamento envolve totalmente o autossacrifício da pessoa  
docente, dado que no município do Rio de Janeiro, por exemplo, é atualmente  
dedicado apenas oito tempos de planejamento dentro de um regime de trabalho de  
quarenta horas semanais, sendo trinta e dois tempos em sala de aula e, portanto,  
dezesseis turmas de Arte.  
Oito tempos significa um trabalho de planejamento de cerca de quatro horas,  
horário que também é o único da rotina que permite almoçar, ir ao banheiro, atender  
às demandas da direção e comunidade etc. Como planejar dezesseis aulas nessas  
quatro horas? Certamente sem pensar ou pesquisar muito. A tática, no tátil, a partir de  
determinado momento, conta no máximo com a intuição e a sensibilidade em um  
modo de piloto automático. Por isso fazem tanto sucesso os sistemas educativos e os  
pacotes de planos de aula vendidos em mídias sociais: exatamente para que a figura  
docente não tenha que pensar ou, no máximo, possa pensar apenas de tempo em  
tempo enquanto “enche linguiça” com o já pensado para algo que não é aquele  
cotidiano escolar em si.  
Neste caso, quando decidi trabalhar com filmes dentro destas escolas da Maré,  
lembro de certa ansiedade sobre a escolha de qual filme começaria as exibições.  
Embora tenha dedicado algum tempo a uma pesquisa, também me voltei para a minha  
bolsa, como diz Ursula K. Le Guin (2021), e tentei lembrar de filmes que poderiam  
funcionar minimamente dentro de um processo de provocação sensível.  
Alexandre Guerreiro (2021) questiona a ideia de Alain Bergala sobre o que é um  
bom filme. Ele reforça a visão de que a educadora audiovisual deve se despir de uma  
hierarquia pautada pelos saberes específicos construídos em sua formação e construir  
uma relação de curadoria horizontal, especificamente em relação ao audiovisual que  
os estudantes já conhecem. Guerreiro assinala que:  
O cinema que habita em cada aluno é sua visão de mundo, formada  
também,  
e
sobretudo, pela onipresença do audiovisual na  
contemporaneidade. Negar seu cinema é negar sua visão de mundo, é  
impor o nosso mundo sobre o dele. Achar que só é possível sensibilizar  
o olhar através do cinema que trazemos em nós é perder o melhor do  
encontro, é desequilibrar a relação (Guerreiro, 2021, p. 23).  
Porém, tensionando um pouco com o que Guerreiro aborda, pergunto-me se  
ignorar os chamados bons filmes também pode ser uma forma elitista de abordar a  
questão, pois leva a acreditar que os saberes construídos durante os séculos da arte e  
narrativa não constituem o próprio audiovisual que compõe o gosto de uma  
comunidade ou serviram de referência para os filmes da Sessão da Tarde. Ainda, pode  
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ignorar que a trajetória da relação com o audiovisual é algo extremamente pessoal e  
singular, na medida em que cada criança pode ter sido atravessada por um pai que  
gostava muito de filmes de faroeste, uma prima apaixonada pelos filmes de um diretor  
específico ou um influencer digital que passa a abordar a história do cinema. No fim  
das contas, o caminho que se segue é um caminho pautado pelo cotidiano, o que coloca  
em diálogo os diferentes acervos audiovisuais presentes na subjetividade e memória  
de cada sujeito envolvido no processo educativo: naquele dia em que dá defeito o  
arquivo do filme que o professor levou e abrem o YouTube e o estudante coloca um  
filme que ele gosta.  
Guerreiro também mobiliza a discussão sobre amadorismo em Jacques  
Rancière, o que também me mobilizou a pensar sobre a condição marginal que um  
educador audiovisual brasileiro possui por si só. Assim, caso uma pessoa chegue a  
uma escola pública, ocupando o espaço que for, sem ser parte da grande estratégia  
característica das grandes corporações, tal pessoa não ocupa o lugar de especialista,  
mas já o de teórico amador:  
o amadorismo é também uma posição teórica e política, a que recusa a  
autoridade dos especialistas, sempre a reexaminar o modo como as  
fronteiras entre suas áreas se traçam na encruzilhada das experiências  
e os saberes. A política do amador afirma que o cinema pertence a  
todos aqueles que, de uma ou de outra maneira, viajaram dentro do  
sistema de desvios que esse nome instaura, e que cada um se pode  
permitir traçar, entre este ou aquele ponto dessa topografia, um  
itinerário próprio, peculiar, o qual acrescenta ao cinema como mundo  
e ao seu conhecimento (Rancière, 2012, p. 16).  
Ignorar o que temos construído dentro do nosso amadorismo, não levá-lo para  
a sala de aula, é tanto algo politicamente equivocado quanto impossível, dado o nível  
de corporificação que tais saberes passam a constituir em cada educador em si. A  
questão, certamente, é a hierarquização de tais saberes perante outros, ou apoiar-se  
nos saberes dos especialistas legitimados globalmente por grandes instituições, mas  
isto não nos coloca em uma posição de tábula rasa: já somos amadores, inclusive  
amamos alguns filmes o suficiente para conseguirmos prever se eles cabem ou não em  
determinado cotidiano escolar que também precisamos amar para desenvolver um  
cuidado enquanto curadoria.  
De volta à escolha dos filmes, em uma escola que não possui acesso à internet,  
isto também cria limitações de quais filmes estão disponíveis ou não para serem  
exibidos. Na minha experiência, por exemplo, para utilizar o projetor que comprei sem  
precisar levar um notebook comigo, pois teria que ser o meu próprio notebook e não  
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gostaria nem de carregá-lo nas costas diariamente pelo transporte público, nem de  
colocá-lo sob o risco de um assalto, eu tinha que baixar os filmes de forma ilegal para  
poder exibi-los em aula. Ainda, tinha que convertê-los no formato de mp4 aceito pelo  
projetor. Dentro dos meus conhecimentos de pirataria, há fóruns de cinema que  
permitem o acesso a torrents considerados mais seguros para o download de filmes.  
Porém, nestes fóruns, o acervo de filmes foge geralmente de obras consideradas mais  
comerciais, inclusive pelo risco de suas grandes companhias donas do filme  
perseguirem as pessoas que disponibilizam cópias para download. Para baixar filmes  
considerados mais comerciais e, supostamente, mais do gosto dos estudantes, eu tenho  
que me submeter a ferramentas de download que colocam mais em risco tanto a minha  
segurança digital quanto a do meu computador próprio.  
Logo, dadas as condições, o caminho tem que ser o de uma própria pirataria,  
uma didática constituída enquanto teoria-prática encarnada a partir das experiências  
docentes e o devir daquele cotidiano específico em um diálogo: tentar navegar o  
cotidiano e pirateá-lo nas melhores oportunidades.  
A SEQUÊNCIA DIDÁTICA ALCANÇADA  
Antes de tudo, avalio como politicamente importante ressaltar que o presente  
relato busca fugir das consequências do relato heroico, como apontado por Maurice  
Blanchot. Embora a partir de uma ideia de Teoria Encarnada, seja um relato que se  
funda em si próprio, não desejo gozar da fundação de uma metodologia ou da criação  
de receitas básicas, mas, mediante um exercício de autorreflexão, explorar os  
meandros das táticas construídas naquele cotidiano, como a revisitar a dialogicidade  
da minha experiência com aquele cotidiano. O benefício da leitura de tal caminho não  
está nas possibilidades de cópia de tal estratégia, mas uma provocação para que as  
pessoas pensem a partir de si próprias, problematizem suas práticas docentes para  
além da ideia de sucesso e fomentem um diálogo a partir do nível de problematização  
da experiência e dos cotidianos.  
No primeiro dia de aula, pedi às crianças mais novas que desenhassem lugares  
que gostam e percebi que desenhar tem algo de particular que se coloca como uma das  
poucas coisas que funciona dentro do panóptico escolar. Em geral, as crianças se  
acalmam, sentam e desenham. Tive a ideia de pedir que eles desenhassem sobre os  
filmes que eu exibisse, que as conversas e diálogos partissem disso. Assim nasceu uma  
sequência didática que envolve: compreender um filme, desenvolver estratégias  
individuais para reter informações sobre o filme, expressar os próprios sentimentos  
sobre uma narrativa, reconhecer os sentimentos alheios sobre uma narrativa,  
desenvolver a fala e a escuta própria e alheia em relação a um filme, sem contar os  
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aprendizados relacionados aos conteúdos, estéticas e linguagens de cada filme  
específico.  
Então, assistiríamos aos filmes e, logo em seguida, as crianças partiriam para a  
criação de desenhos sobre o filme. Fiz a exibição para cada turma. Após a exibição,  
cada estudante deveria fazer um desenho no formato de história em quadrinhos, o que  
eles conheciam por “tirinhas”, contando a história do filme. E foi assim que comecei a  
entender um pouco do processo espectatorial e expressivo de cada estudante.  
Tendo funcionado (com todas as reticências possíveis em torno de tal termo) tal  
dispositivo na primeira semana, decidi seguir com ele. Porém, ao invés de desenharem  
as tirinhas, os estudantes deveriam se dividir em grupos o que é sempre uma correria  
e motivo de brigas e cada um deveria escolher um momento do filme para desenhar,  
sem poder repetir o momento escolhido com outra pessoa do próprio grupo. Ao fim,  
o grupo deveria construir uma linha do tempo do filme, abstração que eles não  
conheciam em geral e que tive que explicar, e posicionar os diferentes momentos do  
filme em sequência na linha do grupo. Aqui trabalhamos com o filme For the Birds, da  
Pixar, e só de eles verem a vinheta de abertura já lhes deu uma empolgação, em  
contraste com o filme “velho” da última aula, mas que eles em geral também gostaram.  
Na terceira aula, continuei com a atividade em grupos e a escolha de diferentes  
momentos do filme para desenhar e criar a linha do tempo, porém agora havia uma  
etapa a mais que era escolher qual das imagens do grupo representava melhor o filme,  
sintetizava melhor a história e que, portanto, poderia ser feito um cartaz para o filme  
a partir dela. Aqui serviu melhor usar o termo “convite” do que cartaz, mas em geral  
os grupos conseguiram fazer uma peça de divulgação do filme “Maluum”, uma  
animação que retrata o bullying e o empoderamento de uma criança com um nome de  
origem africana em uma escola carioca. Por fim, começamos a lidar com aparelhos de  
gravação, a começar pelo de captação de áudio. A partir de “Disque Quilombola”,  
começamos a tentar buscar a fala dos estudantes. Embora eles não falem na frente de  
todo o grupo, em pequenos grupos, isolados da turma, eles se sentem à vontade de  
falar, mesmo que baixo. Então, juntando procedimentos já utilizados em aulas  
passadas, como o desenho e a anotação, após assistir ao filme, os estudantes poderiam  
juntar algumas palavras para dizer ao gravador sobre o que acharam do filme.  
Uma sequência didática nasceu, a qual resumo a seguir, para por último  
detalhar as atividades envoltas à primeira exibição. Ao restante da sequência, tal  
estudo terá que se dar em outro espaço.  
1. Assistir a um filme e, individualmente, fazer uma história em quadrinho  
recontando a narrativa;  
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2. Assistir a um filme e, em grupo, cada um desenhar um momento diferente do  
filme para depois criar uma linha do tempo da narrativa;  
3. Repetir o mesmo que o feito em (2), mas por último fazer um cartaz para o filme,  
ou ao juntar todas as imagens feitas em uma só, ou com a escolha de qual destas  
imagens seria a mais representativa da narrativa.  
4. Assistir a um filme e, individualmente, anotar e desenhar informações sobre o  
filme, para depois gravar áudios com comentários sobre o filme.  
OS BECOS DE PÃO E BECO  
Fiquei o fim de semana preso na questão de por qual filme começar os trabalhos  
de exibição. Veio à minha cabeça o filme Pão e Beco (1970), de Abbas Kiarostami. Acho  
encantadores os filmes que Kiarostami faz com crianças, especialmente os que fez no  
Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens Adultos (Kanun),  
no Irã. Ele tanto criou narrativas curtas que apresentam dilemas cotidianos das  
crianças, filmes em geral sem falas, o que contribui para as questões de recepção, como  
filma os espaços da cidade e da instituição de uma forma plasticamente agradável.  
Neste filme em específico, um garoto anda pelos becos de algum lugar do Irã até que  
um cachorro o impede de continuar. A criança tenta algumas soluções para resolver o  
problema, todas elas envolvendo ter que passar pelo cachorro, retornar não era uma  
possibilidade. Após muitas tentativas, ele joga um pedaço de pão para o cachorro, o  
que lhe permite passar. Assim, o cão passa a seguir o garoto com o rabo a abanar, até  
chegarem em sua casa, onde sua mãe impede que o cachorro entre. Na rua, novamente  
abandonado, o cão late para outro garoto que passa e a narrativa se mostra cíclica.  
Embora seja um filme iraniano da década de 1970, em preto e branco, o que  
pode ser considerado um filme fora do repertório dos estudantes, decidi começar por  
ele por ter um gosto por uma prática educativa que utiliza do estranhamento. Queria  
começar os trabalhos com o audiovisual com tal sentimento, provocar sobre existirem  
filmes em diferentes épocas e, mesmo assim, eles nos dizerem algo. Geralmente,  
apresentava o filme como sendo um filme de um país que começa com “i”, o que  
gerava um mar de gritos com nomes de localidades. Em seguida, falava que era do  
Oriente Médio, o que me fez perceber que a noção deles de geografia ainda é muito  
limitada. Falava do nome do diretor, o que também contribuía para o estranhamento.  
Exibi o filme para diferentes turmas, o que me fez perceber as questões  
relacionadas à mediação do filme. Em geral, as turmas ficaram muito agitadas durante  
a exibição, o que exigia a minha constante intervenção. Em algumas turmas, tal  
intervenção envolvia o pedido por silêncio, a repreensão de quem se comportava de  
forma muito caótica. Em outras, convoquei os estudantes a se perguntarem sobre o  
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que estava acontecendo. De alguma forma, emulávamos a voz mental que pode  
acompanhar uma pessoa que assiste a um filme. “Quem é ele?”, “o que está fazendo?”,  
“o que fazer agora?” são alguns exemplos de questões que disparei à turma, mesmo  
que para provocar questões que levavam a outras perspectivas que não a da narrativa  
que se desenrolaria. Também provocava questões relacionadas ao espaço exibido, os  
becos, e se eles se pareciam com os da Maré. A principal questão envolta ao filme era  
“o que fazer para passar pelo cachorro?”. Alguns estudantes trouxeram como solução  
fazer algum tipo de violência com o animal, o que me permitia citar que os animais  
possuem direitos, que violá-los é considerado um crime. O filme provocou estudantes  
a buscarem soluções criativas e práticas para um problema cotidiano, do qual alguns  
estudantes inclusive possuíam experiências similares.  
Arquivei o material criado por cada turma a partir de Pão e Beco. De tudo criado  
com várias turmas, selecionei alguns desenhos de estudantes do quarto ano, o que  
permite esboçar um certo panorama das possibilidades e dificuldades de tal trabalho.  
Mais do que buscar interpretações dos desenhos, do grau de competências e  
habilidades de cada estudante, a ideia é realizar uma cartografia dos desafios  
escolares.  
Além dos estudantes que não fizeram a atividade, que não chegaram a entregar  
nada, alguns estudantes ficaram presos na questão de “fazer uma capa para o  
trabalho”. Recebi alguns dos trabalhos, como a imagem 1: um papel dobrado, com a  
intenção de criar um livreto, e um esboço de capa de trabalho, com título e alguns  
elementos decorativos.  
Imagem 1: Apropriação da forma escolar: o desenho como "capa de trabalho" na recepção de Pão e Beco.  
Fonte: Acervo pessoal do autor (2025).  
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Outro desafio é o trabalho adaptado para as crianças que possuem algum tipo  
de necessidade especial. No caso, sem nenhum apoio recebido pela escola ou pela  
secretaria da educação, tive dificuldades para compreender as dificuldades das  
crianças e as adaptações necessárias. A imagem 2 é o trabalho apresentado por uma  
criança a partir de Pão e Beco.  
Imagem 2 Expressão e alteridade: o desenho no contexto da educação especial.  
Fonte: Acervo pessoal do autor (2025).  
Alguns outros estudantes tiveram dificuldades de fazer o trabalho de desenho  
em sequência. São desenhos que apresentam um único cenário, geralmente de um  
único momento do filme, como o da Imagem 3.  
Imagem 3 A limitação do cenário único: síntese narrativa em plano estático.  
Fonte: Acervo pessoal do autor (2025).  
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Já alguns outros enfrentavam a limitação do cenário único, mas se esforçavam  
em romper tal limitação para apresentar diferentes momentos do filme, como na  
Imagem 4.  
Imagem 4 O esforço da sequência: tentativa de rompimento do cenário único para narrar o percurso.  
Fonte: Acervo pessoal do autor (2025).  
Outros buscavam representar diferentes momentos do filme em sequência, mas  
o faziam dentro de suas próprias possibilidades expressivas, o que parece envolver  
uma despreocupação com a transmissão da mensagem, como na Imagem 5.  
Imagem 5 Espectatorialidade e fluxo: a despreocupação com a mensagem em prol da expressão pura  
.
Fonte: Acervo pessoal do autor (2025).  
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E então há diferentes graus de desenvolvimento de cada quadro, da quantidade  
de quadros desenhados e do grau de detalhamento da narrativa desenhada, o que  
pode ser visto nas imagens 6, 7 e 8.  
Imagem 6 Organização do olhar: esboços de quadros e detalhamento da narrativa de Pão e Beco.  
Fonte: Acervo pessoal do autor (2025).  
Imagem 7 O "itinerário próprio": tradução da narrativa fílmica para a linguagem dos quadrinhos.  
Fonte: Acervo pessoal do autor (2025).  
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Imagem 8 Apropriação e fruição: detalhamento sequencial e a marca do "fim" como conclusão da  
experiência.  
Fonte: Acervo pessoal do autor (2025).  
CONSIDERAÇÕES FINAIS  
É um grande desafio buscar outras formas de escrita para lidar com o real, o  
que exige o exercitar. No exercício de pesquisa aqui realizado, pesquisa de escrita,  
pesquisa didática, pesquisa epistemológica, já pude perceber algumas ciladas em que  
me coloquei com as minhas próprias palavras. Em muitas vezes percebi que as minhas  
palavras poderiam dar a entender uma certa ideia de sucesso que está muito longe da  
realidade; quando parecer que a turma toda realizou a atividade, ou que todos  
alcançaram o que disse, talvez a realidade se imponha totalmente ao oposto.  
O que seria o sucesso perante tais proposições? A reflexão sobre o tema dos  
filmes, a realização da atividade, manter o corpo quieto durante o filme, não ser  
mandado para a direção? Insiro tais perguntas para não deixar dúvidas de que o  
cotidiano se impõe e acaba com qualquer pretensão de sistematização do  
conhecimento. Ainda há as dificuldades de lidar com si próprio, de falar sobre si  
mesmo e os limites egóicos que a pesquisa pode enfrentar. Porém, escrever sobre isto  
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tudo me permite avançar na complexificação de reflexões que possam me apoiar no  
desenvolvimento de trabalhos futuros, seja em sala de aula, seja na pesquisa.  
Como adaptar este trabalho para diferentes idades, para diferentes  
neurodivergências, para diferentes tipos de inteligência? O desafio se mantém e espero  
ter desenhado algumas pistas, jogadores, alguns milhos pelos quais me permitam  
refazer caminhos: como estudar com filmes?  
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