Revista Coletivo Cine-Fórum | v. 4 | n. 1 | p. 1-15 | 2026 | ISSN: 2966-0513  
Artigo | Temática Livre  
Submetido em: 27/11/2025 Aceito em: 27/02/2026  
Rita de Cássia Ribeiro  
Benites  
Doutoranda no Programa de  
Pós-Graduação Profissional  
em Educação na linha de  
pesquisa Formação de  
Professores e Diversidade da  
Universidade Estadual de  
Mato Grosso do Sul  
(UEMS). Integrante do grupo  
de pesquisa GECCAE (Grupo  
de Estudos Críticos em  
Cultura, Arte e Educação).  
A SEXUALIDADE FEMININA SE DISTANCIA DO MALE  
GAZE CONTRIBUIÇÕES DE BABY GIRL PARA UM  
CINEMA FEMINISTA  
RESUMO  
Este artigo propõe uma análise do filme Baby Girl (2024), dirigido por Halina Reijn,  
com o objetivo de investigar as particularidades da sexualidade feminina a partir de  
uma perspectiva que se distancia do conceito cinematográfico do male gaze, formulado  
por Laura Mulvey. A análise fílmica se debruça pela Teoria Crítica ao elucidar o  
patriarcado como fundamental neste processo de subserviência feminina e sugere a  
superação dele como caminho de emancipação. A reflexão parte da relação entre  
sexualidade, percepção corporal e desejo feminino, compreendidos como construções  
históricas e culturais ainda marcadas por tabus e preconceitos. Para embasar essa  
abordagem, são utilizados estudos sobre o corpo e a representação da mulher, com  
apoio teórico de autoras como Nancy Fraser, Laura Mulvey, Mary Del Priore e Naomi  
Wolf, promovendo uma leitura feminista do cinema que possibilite novas formas de  
abordar a temática. Os resultados desta análise apontam para uma tendência de novos  
filmes feministas que se distanciam da linguagem do male gaze e criam espaços para  
narrativas alternativas na indústria cinematográfica.  
Palavras-chaves: Sexualidade. Feminismo. Cinema. Male Gaze. Teoria Crítica.  
FEMALE SEXUALITY DISTANCES ITSELF FROM THE MALE  
GAZE CONTRIBUTIONS OF BABY GIRL TO A FEMINIST FILM  
ABSTRACT  
This article proposes an analysis of the film Baby Girl (2024), directed by Halina Reijn,  
with the aim of investigating the particularities of female sexuality from a perspective  
that distances itself from the cinematic concept of the male gaze, formulated by Laura  
Mulvey. The film analysis draws on Critical Theory to elucidate patriarchy as a  
fundamental element in this process of female subservience and suggests its  
overcoming as a path toward emancipation. The reflection is grounded in the  
relationship between sexuality, bodily perception, and female desire, understood as  
historical and cultural constructions still marked by taboos and prejudices. To support  
this approach, studies on the body and the representation of women are employed, with  
theoretical support from authors such as Nancy Fraser, Laura Mulvey, Mary Del Priore,  
and Naomi Wolf, promoting a feminist reading of cinema that enables new ways of  
addressing the theme. The results of this analysis point to a trend of new feminist films  
that distance themselves from the language of the male gaze and create spaces for  
alternative narratives within the film industry.  
Este artigo passou por avaliação por  
pares cega e software antiplágio.  
Keywords: Sexuality. Feminism. Cinema. Male Gaze. Critical Theory.  
LICENÇA ATRIBUIÇÃO NÃO  
COMERCIAL 4.0 INTERNACIONAL  
CREATIVE COMMONS CC BY-NC  
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INTRODUÇÃO  
O desejo e a sexualidade da mulher ocidental permearam perspectivas outras  
que não possibilitaram um desenvolvimento real do que se entende por desejo  
feminino. Discorrido aqui como uma construção histórica e social, este estudo entende  
a sexualidade feminina por uma perspectiva crítica, sobretudo pela lógica do  
capitalismo e do patriarcado, e de como estas estruturas se beneficiam dela.  
Pensado a partir de uma pesquisa que entende o cinema como uma ferramenta  
de emancipação, esse estudo realiza sua análise a partir de um cinema feminista, que  
encoraja e desenvolve um olhar diferente do que se é estabelecido. A partir dessa  
premissa, entende-se que o corpo e a história das mulheres ocidentais (pelos últimos  
100 anos) perpassaram uma sociedade patriarcal, logo o que se remete por “conduta  
de gênero” nesta análise, está ligado àquilo que o patriarcado consolidou como  
padrão.  
Nesta configuração, o cinema foi uma dessas ferramentas. Também  
manipuladas em prol do patriarcado, as imagens das mulheres ao longo da história  
configuraram-se sob a centralidade do olhar masculino. Este conceito foi criado por  
Laura Mulvey em seu ensaio “Prazer Visual e Cinema Narrativo” em 1975, onde ela  
faz uma rica contribuição sobre como as narrativas e imagens cinematográficas foram  
construídas a partir de um olhar masculino, com plena participação masculina e  
voltada exclusivamente para eles, em detrimento da visão das mulheres. Para defender  
sua percepção, a autora se utilizou de conceitos da psicanálise.  
Desde então, o cinema feminista busca contrapor essa visão masculina quando  
propõe a construção de personagens que se distanciem desta visão patriarcal. Isso  
porque, segundo Silvia Federici, “Hollywood se revelou uma verdadeira máquina de  
guerra para a construção das relações de gênero" (2025, p. 70), estabelecendo os  
padrões que até hoje se repetem na indústria cinematográfica.  
Neste cenário, o Male Gaze chega então às telas do cinema de forma ostensiva,  
tornando a ação problemática, pois reafirma a visão patriarcal de objetivação do corpo  
feminino. O male gaze retira o poder das mulheres de construírem sua própria  
narrativa, intensificando conflitos de gênero ao reafirmar a soberania masculina sobre  
os corpos e mentes das mulheres. O male gaze, portanto, é mais uma ferramenta  
audiovisual de dissipação da violência de gênero.  
A partir desta reflexão, este artigo propõe analisarmos o filme Baby Girl, de  
Halina Reijn, a fim de despontarmos uma perspectiva feminista de visualidade do  
corpo e desejo femininos em detrimento da visão masculina (male gaze).  
Mesmo ainda longe de configurarmos uma sexualidade verdadeiramente  
feminina e libertadora, a estrutura narrativa de Reijn demonstra um profundo  
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entendimento da complexidade do desejo feminino, expressada no além do erótico,  
permeado entre a tensão e a possibilidade, as potências e anseios de uma mulher. A  
análise entende a representação da mulher no filme como um recorte social, racial,  
cultural, ocidental e etário sob a perspectiva da Teoria Crítica Feminista.  
O longa conta a história de Romy (Nicole Kidman), uma CEO bem-sucedida  
que conquistou o alto posto em sua carreira por mérito próprio, além de possuir  
respeito e consideração em seu meio, tanto profissional quanto familiar. Ela é casada  
com o dramaturgo Jacob (Antonio Banderas), vive um casamento convencional e de  
maneira convencional, “feliz”. No trabalho, ela se depara com Samuel (Harris  
Dickinson), um dos seus novos estagiários, e com ele estabelece uma estranha relação  
de poder e submissão.  
Assim, a escrita deste artigo analisa como o filme Baby Girl se distancia do  
conceito de male gaze e cria uma nova abordagem cinematográfica feminista. Essa  
fundamentação se deve à estrutura narrativa, à semiótica aplicada e à relação dos  
personagens em cena.  
Logo, o texto se divide em três atos demonstrando como essa percepção de  
desejo feminino pode ser compreendida no longa. Para essa análise fílmica utiliza-se  
estudos sobre a estrutura semiótica empregada, a sexualidade feminina e suas  
historicidades a partir da análise fílmica de Francis Vanoye e Anne Galiot-Lété. Além  
disso, o estudo discute sobre as perspectivas feministas atuais e as possibilidades de  
uma reciprocidade afetiva e efetiva entre homens e mulheres, em prol de uma  
sociedade menos violenta.  
A CONSTRUÇÃO DO MALE GAZE E SUA PERMANÊNCIA NO CINEMA  
OCIDENTAL  
A discussão sobre a representação da mulher no cinema ocidental exige que  
revisitemos a teoria de Laura Mulvey, fundamental para compreender como o olhar  
cinematográfico se estruturou historicamente. Em seu ensaio “Prazer Visual e Cinema  
Narrativo(1975), Mulvey denuncia que a forma clássica de filmar e narrar histórias  
organiza-se a partir de um ponto de vista masculino que não apenas domina a lógica  
das imagens, mas também modela o que é percebido como desejo, erotismo e  
subjetividade feminina. Trata-se de um processo construído, e não natural, enraizado  
em estruturas patriarcais que moldaram o cinema desde sua consolidação industrial,  
pois, segundo ela:  
Instintos sexuais e processo de identificação possuem um significado  
dentro da ordem simbólica que articula o desejo... O olhar, então,  
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agradável na forma, pode ser ameaçador no conteúdo, e é a mulher,  
enquanto representação/imagem, que cristaliza este paradoxo  
(Mulvey, 1983, p. 443).  
A crítica do excerto acima parte de uma análise sobre os mecanismos de prazer  
que sustentam o cinema hollywoodiano tradicional: a mulher não emerge como  
sujeito, mas como objeto de contemplação, convertida em superfície de projeção do  
desejo masculino, como salienta Mulvey: “O ponto de partida é o modo pelo qual o  
cinema reflete, revela e até mesmo joga com a interpretação direta, socialmente  
estabelecida, da diferenciação sexual que controla imagens, formas eróticas de olhar e  
o espetáculo” (Mulvey, 1983, p. 437).  
Para isso, Mulvey recorre à psicanálise, especialmente aos conceitos de  
escopofilia e identificação1. Em sua leitura, o cinema promove um duplo prazer: o  
prazer de olhar, sustentado pela objetificação do corpo feminino; e o prazer narcísico,  
que permite ao espectador masculino identificar-se com o protagonista e, por meio  
dele, exercer domínio simbólico sobre a narrativa. A mulher, assim, não apenas  
aparece como imagem, mas como aquilo que deve ser visto. Sua presença é construída  
a partir de fragmentações, fetichizações e estetizações que servem ao interesse do  
espectador. A autora propõe, portanto, a necessidade de uma ruptura: seria preciso  
reformular a linguagem cinematográfica e, simultaneamente, o lugar da espectadora,  
promovendo um cinema feminista que desestabilizasse os códigos dominantes.  
A permanência do male gaze nas décadas subsequentes confirma que se trata de  
um fenômeno estrutural. Ainda assim, produções contemporâneas especialmente  
dirigidas por mulheres começam a tensionar esse olhar. A sexualidade feminina,  
historicamente marcada por repressão, censura e culpa, passa a ser representada a  
partir de outras perspectivas, em que o desejo é compreendido como experiência  
subjetiva e não como espetáculo. É nesse contexto que obras como Baby Girl (2024), de  
Halina Reijn, surgem como marcos importantes para se pensar novas possibilidades  
de representação, pois questionam a estrutura visual e narrativa que Mulvey havia  
identificado como central no cinema clássico.  
1
Em Mulvey (1975), escopofilia refere-se ao prazer de olhar, uma forma de satisfação visual que se estrutura na  
observação do outro como objeto conceito derivado da psicanálise, sobretudo das formulações freudianas sobre  
o impulso voyeurístico. No cinema clássico, esse prazer organiza-se a partir da exposição do corpo feminino como  
espetáculo, reforçando sua posição de objeto de contemplação. Já o mecanismo de identificação opera como um  
segundo eixo de prazer: o espectador masculino identifica-se com o protagonista ativo da narrativa, adotando sua  
perspectiva e experimentando, por meio dele, uma posição de controle sobre o olhar. Esses dois processos o prazer  
de olhar e o prazer narcísico da identificação articulam-se de modo a sustentar o male gaze, consolidando uma  
estrutura visual que privilegia o ponto de vista masculino como centro da experiência cinematográfica.  
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Reijn se estrutura, portanto, neste filme como uma alternativa ao male gaze.  
Outros filmes têm tentado fazer o mesmo nos últimos anos, graças à desestruturação  
de Hollywood que, embora ainda permaneça muito dominante, começa a abrir  
espaços para um cinema alternativo, graças a insistentes provocações de movimentos  
sociais. Sobre isso, a autora diz que este novo cinema “[...] cria um espaço para o  
aparecimento de um outro cinema, radical, tanto num sentido político quanto estético  
e que desafia os preceitos básicos do cinema dominante” (Mulvey, 1983, 439).  
E é nesse cenário que Baby Girl emerge como obra paradigmática. Reijn não  
apenas se afasta do male gaze, mas o confronta, desmontando seus códigos e propondo  
uma narrativa que devolve à mulher o direito à sexualidade, à contradição e ao desejo.  
Ao filmar a sexualidade feminina por dentro e não por meio do olhar de um outro –  
a diretora oferece ao cinema feminista uma estratégia narrativa que amplia e atualiza  
as reflexões iniciadas por Mulvey.  
Assim, a autora defende que a forma e o conteúdo dos filmes são o que lhes dá  
tom de afirmação ou negação do male gaze. A estrutura narrativa, a câmera, o ângulo e  
a “materialidade no tempo e espaço” podem se refazer e destruir as estruturas  
patriarcais que tanto se reafirmam nos filmes convencionais. É o que as próximas  
análises se debruçam a fazer.  
ANÁLISE FÍLMICA: BABY GIRL SE DISTANCIA DO MALE GAZE  
Ao analisarmos Baby Girl sob a perspectiva das teorias de Mulvey, percebemos  
que Reijn elabora uma inversão significativa da lógica clássica do olhar. Embora opere  
com elementos que poderiam sugerir erotismo, o filme recusa a estrutura voyeurística.  
A sexualidade feminina é apresentada como experiência íntima, complexa e por vezes  
conflituosa, não como espetáculo para o prazer masculino. Reijn desloca o eixo  
narrativo da passividade: a personagem Romy não é construída para agradar ao olhar  
masculino, mas para revelar ao espectador a força do desejo feminino suas  
hesitações, angústias e ambiguidades.  
A construção imagética dos personagens reforça essa ruptura. O uso simbólico  
da cadela não remete à submissão, mas à interioridade da protagonista, que projeta no  
animal seus medos, impulsos e contradições. Esse recurso afasta qualquer leitura  
associada a um erotismo típico do male gaze. Do mesmo modo, cenas como o gesto de  
beber o copo de leite ou os momentos de recuo diante do toque não convocam o  
espectador ao prazer voyeurístico, mas ao desconforto reflexivo. São imagens que  
revelam o embaraço de uma mulher que ainda se debate com uma história de  
silenciamentos e interdições sobre o próprio corpo.  
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Tais tensões dialogam com análises de autoras contemporâneas como Mary Del  
Priore (2011). A autora escreveu que a sexualidade feminina foi moldada por  
mecanismos históricos de repressão e moralidade, que restringiram a construção de  
um desejo autônomo. Naomi Wolf (2024), por sua vez, aponta que as imagens  
pornográficas estruturadas para atender ao prazer masculino deformaram a  
percepção feminina de si mesma, criando expectativas incompatíveis com a  
experiência real. Segundo Mulvey, “[...] O cinema dominante codificou o erótico  
dentro da linguagem da ordem patriarcal dominante” (Mulvey, 1983, p. 440) e Baby  
Girl recupera esses debates ao expor, com sensibilidade, as dificuldades de uma  
mulher em acessar e compreender o próprio desejo, ainda marcado por heranças  
patriarcais.  
ATO 1 A RELAÇÃO IMAGÉTICA E PERSPECTIVA DE CONTROLE UMA  
CONSTRUÇÃO SEMIÓTICA  
O filme se inicia com a protagonista e seu marido finalizando o ato sexual no  
qual a personagem Romy não apresenta satisfação e neste aspecto Reijn já coloca em  
cena o que acima foi discutido sobre sexualidade feminina: não há um entendimento  
do outro sobre esse corpo, apenas da mulher pelo próprio corpo, no caso da  
personagem. O lettering em título é exposto e nos confronta como uma ruptura  
reveladora: o longa é sobre ela. É sobre o corpo dela. E é sobre o sexo que a mulher  
cria.  
Neste momento, há uma empatia com a realidade: um estudo da Sociedade  
Brasileira de Urologia (SBU) descrito na reportagem de Guimarães (2025) aponta  
que somente 1/3 das mulheres atinge orgasmos durante uma relação sexual. Os dados  
apresentados evidenciam, de maneira contundente, a permanência de assimetrias  
estruturais na vivência da sexualidade entre homens e mulheres no Brasil.  
Tal disparidade evidência não apenas diferenças nas práticas sexuais, mas a  
força de normas culturais que dificultam a expressão plena do desejo feminino,  
reafirmando a necessidade de problematizar como o patriarcado organiza  
expectativas, comportamentos e percepções sobre o desejo e satisfação sexual  
feminina.  
Retomando a análise, as cenas iniciais demonstram clareza e enquadramento, a  
trilha é envolvente e até animada, a dinâmica familiar é fluida e respeitosa. Esses  
elementos ajudam a construir o olhar primário sobre a protagonista e sua conduta, na  
vida profissional e pessoal: uma mulher que tem controle do que faz e do que é  
(aparentemente).  
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O reconhecimento dos personagens principais já nos revela a tensão que será  
desenvolvida entre ambos. Samuel não parece se reduzir à presença da chefe, pelo  
contrário, tem falas e comportamentos audaciosos e provocativos. O filme conta com  
recursos visuais que estabelecem as relações que as personagens terão ao longo da  
trama: foco, trilha e expressões da personagem que está em conflito.  
Para esta correlação, Reijn opta pela figura de um animal uma cachorra na  
qual a personagem que será o objeto de desejo da protagonista o domina, fazendo  
também referência ao nome do longa. Ele (Samuel) conduz desde as primeiras cenas  
um adestramento eficiente com o animal, demonstrando controle e poder sobre ela  
(ainda nesta etapa, o animal). A cachorra corresponde aos comandos, e a partir da  
relação que estabelece entre os personagens do filme, essa passa a ser a referência  
simbólica do desejo da personagem, em que ela e a cadela se mesclam.  
Antes, a utilização visual de corresponder às cenas de Nicole Kidman como um  
animal pode parecer mais um recurso de male gaze, mas não é. Quando o animal se  
torna símbolo na trama, ele não corresponde à submissão e ao desejo do personagem  
masculino, tampouco do espectador masculino, mas ao desejo de Romy. O  
enquadramento, a trilha e a tensão visual aplicada auxiliam esse entendimento nas  
cenas subsequentes:  
Imagens 1 e 2 A construção semiótica entre o personagem e o animal  
Fonte: Diamonds Films, 2am Films, A24 Films.  
Não só nas cenas simbólicas, mas também nas cenas em que Samuel retoma um  
jogo de sedução com Romy. Ele oferece a ela um copo de leite e ela bebe. Essas cenas  
demonstram a qualidade da semiótica que se estabelece pela representação e pelo  
signo, formadas nas estruturas mentais, onde há obtenção do significado, pois se torna,  
portanto, cognitivo (Santella; Nöth, 1997). Quando Romy questiona Samuel sobre  
como ele conseguiu dominar a cachorra, ele responde que ele deu a ela aquilo que ela  
gosta (um petisco), mais uma vez demonstrando que na perspectiva de controle dele,  
quem demonstra o que quer é o ser dominado (Romy).  
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O filme não tem apelo erótico do olhar masculino ou apelo à pornografia. A  
relação entre eles é tensa, assim como a vida da personagem, que embora aparente ser  
muito bem-sucedida em vários aspectos, demonstra tensão e, no fundo, insatisfação.  
Neste intuito, o filme colabora para um novo olhar que rompe com o olhar dominante,  
e é nessa abertura que a discussão feminista dentro do cinema se baseia: “A alternativa  
é a emoção que surge em deixar o passado para trás sem rejeitá-lo, transcendendo  
formas já desgastadas ou opressivas, ou a ousadia de romper com as expectativas  
normais de prazer de forma a conceber uma linguagem do desejo” (Mulvey, 1983, p.  
440), ou seja, o cinema deve transcender as formas de ver já pré-determinadas.  
ATO 2 A SEXUALIDADE FEMININA VELADA  
Os primeiros encontros entre a personagem e o seu desejado ocorrem de forma  
estranha e não natural, provocando tensão e desconforto ao telespectador. Ambos  
parecem se constranger diante da falta de intimidade, este constrangimento atravessa  
as telas atingindo o público. As primeiras impressões não são de fato confortáveis,  
demonstram que as pessoas da cena estão buscando construir algo que nem mesmo  
elas sabem o que é. Torna-se um desejo construído. Ele (Samuel) é mais propenso ao  
comando, portanto sugere. Ela (Romy) fica desconfortável, primeiro recua, mas aos  
poucos cede, em busca de romper com seu autocontrole e abarcar os impulsos da  
experiência. Esse jogo de dominação não é de fato uma subserviência, mas um apelo  
íntimo e profundo da personagem de corresponder aos próprios desejos que nem  
mesmo ela sabe ao certo o que é.  
Estas primeiras cenas dos amantes nos remetem à falta de entendimento da  
própria mulher sobre seu corpo. Isso porque o corpo e os desejos femininos foram  
alvos de intensa repressão e violência. Justificados por uma cultura moldada e  
imposta, a sexualidade feminina seja religiosa, seja pagã, mesmo em classes  
econômicas distintas foram intencionalmente comedidas. Não houve uma  
construção respeitosa e genuinamente feminina quanto à sexualidade própria das  
mulheres. Como aponta a historiadora Mary Del Priore: “As relações com a intimidade  
refletem como os processos civilizatórios modelaram gradualmente as sensações  
corporais, acentuando seu refinamento, desenrolando suas sutilezas e proibindo o que  
não parecia decente" (Del Priore, 2011, p. 10). Assim, tenha sido ela natural, tenha sido  
ela simbólica: não houve na história das mulheres ocidentais uma perspectiva positiva  
e saudável que fizesse com que as mulheres pudessem desenvolver sua própria  
perspectiva de desejo de forma coletiva ou colaborativa.  
Essa dinâmica não se limita ao plano das ideias, ela se concretiza em danos  
materiais e subjetivos, que incidem sobre a vida das mulheres sob um “sexismo  
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cultural” (Fraser, 2006). A violência sexual difundida pela mídia compõe um  
repertório de práticas que reforçam a condição de vulnerabilidade feminina e  
reafirmam a centralidade das normas androcêntricas. Esses mecanismos não apenas  
desqualificam, mas disciplinam e orientam comportamentos, definem expectativas e  
delimitam percepções sociais:  
Em sua companhia está o sexismo cultural: a desqualificação  
generalizada  
das  
coisas  
codificadas  
como  
“femininas”,  
paradigmaticamente mas não só, as mulheres. Essa desvalorização se  
expressa numa variedade de danos sofridos pelas mulheres, incluindo  
a violência e a exploração sexual, a violência doméstica generalizada;  
as representações banalizantes, objetivadoras e humilhantes na mídia;  
o assédio e a desqualificação em todas as esferas da vida cotidiana; a  
sujeição às normas androcêntricas, que fazem com que as mulheres  
pareçam inferiores ou desviantes e que contribuem para mantê-las em  
desvantagem (Fraser, 2006, p. 234).  
Nesse sentido, a crítica de Fraser ilumina como o sexismo cultural, opera  
simultaneamente no plano estrutural e no microssocial. Ao codificar o feminino como  
inferior ou, mais precisamente, como algo a ser contido, corrigido ou tutelado o  
patriarcado assegura sua própria continuidade. A desvalorização das mulheres,  
portanto, não é um efeito colateral, mas uma tecnologia de poder que organiza a vida  
social.  
Essa desvalorização tem raízes profundas. Seu corpo foi subjugado por crenças  
infundadas, sua imagem difamada por médicos e cientistas, seu corpo mutilado em  
prol da santidade, seu desejo manipulado, extraído, renegado. Taxadas de bruxas e  
feiticeiras, até os órgãos do sexo feminino também foram vítimas de hostilidade,  
mutilação, medo e condenação. O sangue menstrual, natural do corpo, era visto como  
indigno, despertava a injúria, uma ligação com “um mal”. Por alguns séculos, faziam-  
se mutilações no corpo das mulheres, pensando que isso as ajudaria na cura de  
doenças.  
Todas essas violências contribuíram para que a mulher ocidental não  
entendesse a própria estrutura biológica de seu corpo, como também sua própria  
relação com o desejo, que “podado como um mal e combatido, só poderia  
corresponder à função reprodutiva da ‘madre’ – útero – excluindo o prazer” (Del  
Priore, 2011, p. 34), herança da qual não conseguimos nos libertar. Essas mesmas  
crenças foram passadas tão frutuosamente entre as culturas que até hoje não  
conseguimos nos livrar da culpa amalgamada.  
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A mulher, desta forma, existe na cultura patriarcal, como significante  
de outro masculino, presa por uma ordem simbólica na qual o homem  
pode exprimir suas fantasias e obsessões através do comando  
linguístico, impondo-as sobre a imagem silenciosa da mulher, ainda  
presa a seu lugar como portadora de significado e não produtora de  
significado (Mulvey, 1975, p. 438).  
Assim, ao situar essa dinâmica na ordem simbólica, Mulvey demonstra que não  
estamos diante de uma simples assimetria entre representações, mas de um dispositivo  
cultural que organiza a produção de significados. O “comando linguístico” masculino,  
como ela descreve, atua como chave estruturante de um sistema em que a mulher é  
constantemente reinscrita como signo, e não como voz. Essa operação não apenas  
restringe seus atos, mas condiciona a forma como suas imagens circulam, são  
interpretadas e consumidas. Assim, sua presença visual permanece submetida ao  
olhar que a captura, delimitando os contornos do que pode ser visto e do que pode ser  
desejado. No filme, Romy não consegue comunicar seus desejos de forma aberta para  
seu parceiro, velando o seu corpo e rosto enquanto verbaliza suas intenções. Mais uma  
vez, o desejo dela não é correspondido, cedendo espaço ao desejo masculino, que  
também foi condicionado.  
Imagens 3 e 4 A personagem se esconde enquanto revela verbalmente sobre seus desejos  
Fonte: Diamonds Films, 2am Films, A24 Films.  
Esse jogo cênico que representa a construção do ato sexual de um casal  
demonstra um problema social que é a diferenciação entre o que é ou não permitido  
entre homens e mulheres, e o que é de fato desejado. Muitas vezes, a violência é  
condicionada como forma de prazer e as condições de pensamento sobre desejos não  
se correspondem. Segundo a autora Naomi Wolf (2024), a repressão sobre a  
sexualidade feminina é construída culturalmente na nossa sociedade por 3 pontos  
principais: o primeiro consiste no fato de que as meninas não são cuidadas  
intimamente pelos pais, pois isso fica a cargo somente de outras mulheres; a segunda  
é a influência cultural sobre o corpo da mulher em que somos ensinadas desde  
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pequenas a não olharmos para o próprio corpo; e, terceiro, a própria violência sexual  
que se organiza dentro da nossa sociedade para entendermos que um homem é um  
ser perigoso. Logo:  
Viver numa cultura na qual as mulheres estão rotineiramente nuas  
enquanto os homens não o estão equivale a aprender a desigualdade  
aos pouquinhos, o dia inteiro... Ela é nitidamente uma linguagem já  
submetida a uma forte manipulação para proteger a confiança sexual  
e social masculina enquanto prejudica a feminina (2024, p. 205).  
Baby Girl e sua narrativa desconcertante, porém, nos mostram uma diferença. O  
longa nos desconcerta porque vemos que não há liberdade no pensar do íntimo e do  
desejo, principalmente com as mulheres. E, ao mesmo tempo, nos identificamos. O  
filme corresponde ao universo feminino diversas vezes. Já nas primeiras cenas,  
quando a personagem interage sexualmente com seu marido, mostra que ela recorre a  
outros fins para estabelecer o seu prazer, que não é o que o marido simplesmente  
propõe. Também é perceptível quando a personagem se esconde, seja ao fechar os  
olhos ou através dos lençóis, quando sua vulnerabilidade pode ser exposta a pensar  
sobre seus próprios desejos (Figuras 3 e 4).  
Essa relação conflituosa, segundo Naomi Wolf, deve-se ao fato de que não  
construímos como sociedade uma recíproca verdadeira quanto à sexualidade, pois a  
imposição da pornografia adoeceu as relações íntimas das pessoas. Segunda Wolf, as  
“duas convenções da pornografia leve e da pesada penetraram na cultura feminina.  
Uma apenas transforma o corpo em objeto, a outra comete violência contra ele” (Wolf,  
2024, p. 198).  
Logo, o desejo feminino não é explícito na pornografia nem no erótico, nem nas  
imagens que são moldadas das mulheres em todo o mundo, mas sim a visão que  
querem acreditar que temos sobre o nosso próprio corpo. Portanto, há uma  
previsibilidade quanto às mulheres não conseguirem expressar seus próprios desejos,  
pois eles estão calcados em uma historicidade manipulada.  
ATO 3 A CONSTRUÇÃO DO DESEJO DEMOCRÁTICO - POSSIBILIDADES  
O filme tem um arco narrativo que apresenta que o desejo dos personagens  
pode ser construído conjuntamente, de forma consensual. Como dito anteriormente, o  
desejo das mulheres foi subjugado ao dos homens, sendo que o próprio desejo  
masculino foi o que estabeleceu o conceito de male gaze, moldado em torno da  
pornografia e da nudez feminina. Sobre isso, Wolf nos diz que pornografia é uma “[...]  
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linguagem já submetida a uma forte manipulação para proteger a confiança sexual e  
social – masculina enquanto prejudica a feminina” (2024, p. 205).  
Portanto, Reijn nos conduz a pensar nos corpos, desejos e sexualidades  
humanas, para além do sexismo, para a construção de um saber democrático, longe de  
perspectivas enquadradas em papéis misóginos ou pornográficos. Desejo esse  
construído socialmente. O sentido "natural" e os anseios biológicos não devem ser a  
centralidade dos estudos sobre como o desejo sexual humano se constrói. Gangon  
(2006, p. 113) diz que "[...] é importante levar em conta a flexibilidade e a  
descontinuidade do desenvolvimento humano e reconhecer a notável capacidade de  
adaptação dos seres humanos, quando enfrentam e criam circunstâncias novas  
durante todo o ciclo de vida".  
Pensando no excerto e no longa, o espectador não sensível, ao se deparar com a  
temática do filme, pode interpretá-lo como um male gaze reformulado, porém o longa  
nos dá outras respostas. Os personagens não se apresentam de forma maniqueísta ou  
moralista, neste filme esta tendência é quebrada. Não há sexualização do corpo  
feminino na perspectiva do male gaze. Há uma relação respeitosa entre os limites do  
corpo e do prazer entre os personagens. O que há é uma extrema sensibilização da  
personagem feminina e uma grande expectativa de compreensão de suas angústias,  
que são tão íntimas do universo feminino, que não conseguem ser verbalizadas, e são  
mostradas de maneira sutil através da fotografia e da trilha. Nas imagens a seguir, a  
personagem Romy consegue verbalizar ao marido suas necessidades:  
Imagens 5 e 6 O confronto dos personagens e a possibilidade da recíproca do desejo  
Fonte: Diamonds Films, 2am Films, A24 Films  
No confronto entre os personagens protagonistas, o marido Jacob reduz o  
desejo de Romy a uma perspectiva masculina de subalternização, mas Samuel o  
contradiz, dizendo que esse é um entendimento ultrapassado, pois há novas formas  
de se construir a sexualidade. No final da trama, Reijn aponta a superação disso, que  
apesar de complexa e contraditória, a relação humana com a sexualidade que foi  
fundada a partir de uma versão masculina, moldada pela pornografia e até mesmo  
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pela violência, pode ser reconfigurada. Cabe ao novo construir uma nova narrativa e  
dar espaço para o desejo deliberado e consentido principalmente o feminino:  
[...] a ênfase recai sobre os processos psicossociais, e as situações  
histórico-culturais, que dão sentido ao comportamento, permitem a  
integração e a reorganização das informações e habilidades aprendidas  
em etapas anteriores do ciclo de vida e, a rigor, despertam num  
organismo pouco especificado as respostas culturalmente apropriadas a  
situações inéditas (Gangon, 2006, p. 123).  
Assim como descrito por Gangnon, revisitar Mulvey em 2025 significa não  
apenas reafirmar sua crítica, mas expandi-la. Cabe ao cinema contemporâneo romper  
com as heranças que reduziram a mulher à condição de imagem e instituir novas  
formas de visualidade, capazes de reconhecer a complexidade de suas experiências.  
Baby Girl demonstra que essa possibilidade é real: ao narrar o desejo feminino a partir  
de si mesmo, o longa não apenas desloca o olhar patriarcal, mas contribui para uma  
pedagogia visual que resiste, reinventa e emancipa, pois para Mulvey o objetivo de se  
entender o male gaze é “[...] chamar a atenção para o modo como as preocupações  
formais desse cinema refletem obsessões psíquicas da sociedade que o produziu [...]”  
(1983, p. 439).  
Nesse gesto, o longa inscreve-se no esforço contemporâneo de expandir a crítica  
ao male gaze, afirmando a urgência de novas narrativas capazes de reconhecer a  
complexidade das sexualidades humanas e de construir uma pedagogia visual  
comprometida com a emancipação do desejo feminino.  
CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Ao contar um “suspense erótico” a partir de uma perspectiva feminina, Halina  
Reijn inovou o cinema quando abriu espaço para que novas produções sejam criadas,  
distanciando-se da então indústria do male gaze. Contando com uma narrativa  
instigante e não convencional, o longa nos leva a perceber sutilezas do universo  
feminino que vão além do erótico, promovendo significado e confiança para as  
espectadoras, e sensibilidade para os demais.  
O longa mostra de maneira altamente sensível, não uma visão externa ou  
masculina do erótico ou da sensualidade, mas uma perspectiva íntima do desejo, dos  
amores e das relações de forma intensamente feminina. A análise se debruça sobre as  
formas pelas quais as mulheres se relacionam, entre os seus pares, afetiva e  
profissionalmente,, mas principalmente, com elas mesmas. A longa desnuda de forma  
extremamente peculiar a sexualidade ao desvelar os feitios pelos quais o desejo  
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feminino se configura ou ao menos tenta se configurar e avança quanto à reciprocidade  
na construção de uma nova sexualidade feminista, que é ao mesmo tempo tensa e  
contraditória.  
Reconhecer a contribuição de Mulvey significa compreender que o cinema não  
apenas representa, mas produz modos de ver e sentir. A crítica da autora permanece  
atual porque as estruturas patriarcais não desapareceram apenas se transformaram.  
Entretanto, há hoje um movimento claro em direção a novas formas de filmar a  
experiência feminina, sobretudo quando mulheres ocupam posições centrais nos  
processos de criação audiovisual.  
Para que isso aconteça, é necessário que mais mulheres estejam à frente de  
produções de filmes, escrevendo, produzindo e dirigindo. Esse é o nosso principal  
desafio: fomentar não só a indústria cinematográfica a produzir mais filmes femininos,  
mas também promover ações reais de incentivo a mulheres no cinema, à frente e atrás  
das câmeras.  
REFERÊNCIAS  
BABYGIRL. Direção: Halina Reijn. Produção: David Hinojosa, Halina Reijn e Julia  
Oh. Estados Unidos: Diamonds Films; A24; 2AM, 2024. 1 filme (114 min).  
DEL PRIORE, Mary. Histórias íntimas: a história do corpo e da sexualidade no  
Brasil. 1. ed. São Paulo: Planeta do Brasil, 2011.  
FRASER, Nancy. From redistribution to recognition? Dilemmas of justice in a  
“postsocialist” age. In: S. SEIDMAN; J. ALEXANDER. (orgs.). The new social theory  
reader. Londres: Routledge, 2001. p. 285-293.  
GAGNON, John H. Uma interpretação do desejo: ensaios sobre o estudo da  
sexualidade. Rio de Janeiro: Garamond Universitária, 2006.  
GUIMARÃES, Maria. Dois terços das mulheres não atingem orgasmo, enquanto  
homens só ¼. Gshow, 5 dez. 2025. Disponível em:  
mulheres-nao-atingem-orgasmo-enquanto-homens-so-14-entenda-  
disparidade.ghtml. Acesso em: 9 dez. 2025.  
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MULVEY, Laura. Prazer visual e narrativas no cinema. In: XAVIER, Ismael (org.). O  
cinema e o seu duplo: ensaios sobre cinema, crítica e teoria. Rio de Janeiro: Graal;  
Embrafilme, 1983. p. 437 453.  
REIJN, Halina. Baby Girl [filme]. Estados Unidos/Holanda: A24, 2024. Disponível em:  
Prime Video. Acesso em: 04 out. 2025.  
SANTAELLA, Lucia; NÖTH, Winfried. Imagem, cognição, semiótica e mídia. São  
Paulo: Iluminuras, 1997.  
SANTOS, Idelvânia S. et al. Prevalência de disfunção sexual feminina: revisão  
sistemática de estudos brasileiros com FSFI. Revista Brasileira de Ginecologia e  
Obstetrícia, v. 42, n. 3, p. 153162, 2020.  
VANOYE, Francis; GOLIOT-LÉTÉ, Anne. Ensaio sobre a análise fílmica. Campinas:  
Papirus, 1994.  
WOLF, Naomi. O mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as  
mulheres. Tradução de Waldéa Barcellos. 15. ed. revista e ampliada. Rio de Janeiro:  
Rosa dos Tempos, 2024.  
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