A RAIVA COMO CATALISADOR
USOS DA RAIVA NA MÚSICA POP NEGRA E LGBTQIAPN+ BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.63418/ep3bxz42Palavras-chave:
Raiva., Música pop., Negritude., Dissidência sexual., Feminismo negro.Resumo
Este artigo analisa os usos da raiva na música pop produzida por artistas negros LGBTQIAPN+ no Brasil, a partir do corpus composto pelas músicas "*bomba pra caralho", de Linn da Quebrada, Alice Guél e POV3DA (2020); "Ain't I a Woman?", de Luedji Luna (2020); e "Não é comigo", de Rico Dalasam (2021). Partindo das reflexões de Audre Lorde sobre os usos políticos da raiva, articuladas com o pensamento de bell hooks, Patricia Hill Collins, Lélia Gonzalez e Grada Kilomba, o trabalho argumenta que a raiva expressa nesses textos não constitui excesso emocional, mas afeto epistemológico: forma de conhecimento, resistência e reinscrição de subjetividades negras e dissidentes no campo do sensível e do político. A análise considera ainda a música pop como dispositivo de mediação cultural capaz de fazer circular discursos historicamente marginalizados, produzindo fissuras nas hegemonias cisheteronormativas e embranquecidas. O artigo foi desenvolvido no contexto da disciplina "Poéticas do desabrigo: circulações de mundos no contexto da Diáspora Negra", do Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários da UFJF.
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