O TRAUMA COMO ESTRUTURA DA NARRATIVA
A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE DE DAMARIS EM A CACHORRA, DE PILAR QUINTANA
DOI:
https://doi.org/10.63418/vzhqj598Palavras-chave:
Trauma, Subjetividade Feminina, Antimaternalismo, Literatura Latino-Americana, PsicanáliseResumo
O presente artigo analisa o romance A Cachorra (2017), da escritora colombiana Pilar Quintana, com foco na construção da subjetividade da protagonista Damaris a partir do conceito de trauma. O objetivo central é investigar de que modo o trauma opera como estrutura constitutiva do sujeito feminino representado na narrativa, não como elemento episódico, mas como fundamento da sua forma de sentir, agir e se vincular ao mundo. A análise articula três eixos teóricos complementares: a psicanálise freudiana e winnicottiana, com ênfase nos conceitos de trauma, compressão à repetição, reprexão e melancolia; o antimaternalismo de Vera Iaconelli (2023), que permite compreender a violência simbólica exercida sobre Damaris pela imposição social da maternidade como destino feminino obrigatório; e a crítica literária feminista de Elaine Showalter (1994) articulada ao conceito de entre-lugar de Silviano Santiago (2002), que situam o romance no interior de uma tradição literária que fala da margem para desestabilizar discursos hegemônicos. A análise demonstra que o comportamento de Damaris — incluindo seu vínculo ambivalente com a cachorra Chirli e o ato de violência que encerra a narrativa — é resposta coerente a um conjunto de experiências traumáticas não elaboradas, cuja estrutura se repete e se intensifica ao longo da obra. O trabalho se insere no campo dos estudos literários de orientação qualitativa, com abordagem analítico-interpretativa.
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