A ABORDAGEM MIDIÁTIDA DO RACISMO NO BRASIL: UMA ANÁLISE DO CASO LIBERATUM EM SALVADOR
DOI:
https://doi.org/10.63418/rccf.v3i2.122Palavras-chave:
Liberatum, Mídia, Racismo, JornalismoResumo
O Festival Liberatum, realizado pela primeira vez no Brasil com a proposta de valorizar a cultura afro-brasileira e promover a mudança social, foi marcado por episódios de racismo contra alguns artistas presentes no evento, o que gerou repercussão pública e expôs tensões entre o discurso institucional e as práticas observadas. Diante dessa contradição, esta pesquisa tem como objetivo analisar a forma como a cobertura jornalística retratou o caso, buscando compreender de que maneira eventos e coletivos progressistas também reproduzem lógicas vinculadas ao racismo estrutural ainda persistente na sociedade brasileira contemporânea. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória-descritiva, estruturada como estudo de caso. As matérias publicadas na internet sobre o caso foram filtradas e analisadas de forma técnica, para entender como cada veículo abordou o assunto e se trouxeram profundidade para o tema. A partir da análise desse material, e com o aparato teórico de autores que retratam o racismo na mídia de forma crítica e relevante, como Lélia Gonzalez e Stuart Hall, foi possível identificar um padrão recorrente nas abordagens midiáticas: a superexposição das vítimas, frequentemente retratadas por meio de narrativas centradas no sofrimento individual, e a preservação da imagem dos agressores, cuja identificação e contextualização são muitas vezes omitidas ou suavizadas. Essa forma de cobertura contribui para a manutenção de estruturas simbólicas que reproduzem desigualdades raciais e deslocam o foco da denúncia. Deste modo, a pesquisa evidencia, assim, a importância de uma abordagem crítica sobre os modos como a mídia representa episódios de violência racial e seus desdobramentos sociais e comunicacionais.
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