O QUE PODE O CINEMA EM UMA ESCOLA ONDE NÃO SE APAGA A LUZ?
TATEANDO SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS DE RECEPÇÃO FÍLMICA COM PÃO E BECO DE ABBAS KIAROSTAMI
DOI:
https://doi.org/10.63418/1fvnwn86Palavras-chave:
Estudos do Cotidiano, Educação Audiovisual, Pesquisa Pós-Qualitativa, Relato ExperiencialResumo
Este trabalho aborda a Educação Audiovisual, reconhecendo sua crescente densidade no contexto da Cultura Visual e da escola. Alinha-se à pesquisa acadêmica que narra as relações entre audiovisual e educação a partir da experiência e da primeira pessoa, mobilizando autores como Larrosa Bondía, bell hooks e Conceição Evaristo. A pesquisa é uma escrita encarnada, motivada pela atuação do autor como Professor de Artes em dois CIEPs do Complexo da Maré, Rio de Janeiro. Em um contexto desafiador de limitações materiais, o estudo reflete sobre sequências didáticas que buscam desenvolver a espectatorialidade audiovisual como construção plástica e expressiva, fugindo da mera significação ou letramento. Adotando um anti-método pós-estrutural, a pesquisa constrói-se como um ensaio-imagem atento aos saberes-fazeres docentes. O foco prático reside em dispositivos pedagógicos criados a partir da exibição de filmes (como Pão e Beco, For the Birds e Maluum) seguidos de atividades expressivas, como desenhos em quadrinhos, criação de linhas do tempo e elaboração de cartazes/convites. Tais práticas visam a expressão dos estudantes, reconhecendo o cotidiano escolar como um campo que se impõe sobre qualquer pretensão de sucesso ou sistematização.
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