RELEITURAS DIGITAIS DE VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS
CULTURA DIGITAL E FORMAÇÃO DE LEITORES NA EDUCAÇÃO BÁSICA
DOI:
https://doi.org/10.63418/2gncd965Palavras-chave:
Literatura, Cultura digital, Formação de leitoresResumo
A leitura literária, apesar de sua relevância para a formação crítica, criativa e cidadã, ainda enfrenta desafios pedagógicos decorrentes de práticas tradicionalistas que afastam os estudantes do potencial formativo dos textos literários. No contexto contemporâneo, marcado pela cultura digital e por múltiplas linguagens, torna-se necessário repensar metodologias que aproximem a literatura dos suportes e gêneros digitais presentes no cotidiano dos educandos. Este artigo analisa como propostas didático-metodológicas fundamentadas em gêneros textuais digitais podem contribuir para a formação de leitores críticos nos Anos Finais do Ensino Fundamental. O estudo parte da leitura da obra Vidas secas, de Graciliano Ramos (2019 [1947]), em que se desenvolveram três projetos: (i) “Lendo em 1 minuto” (produção de vídeos-minuto), (ii) “Lendo e-relendo” (elaboração de e-books) e (iii) “É jogando que se aprende” (criação de jogo digital). A pesquisa, de abordagem qualitativa, natureza aplicada e caráter descritivo-analítico, assume o formato de relato de experiência e articula observação participante, análise dos produtos gerados e análise documental de referenciais teóricos e curriculares. Os resultados evidenciam que o diálogo entre leitura literária e cultura digital favorece processos de autoria, participação e criticidade, ampliando a inclusão e a significatividade dos textos literários no processo de ensino-aprendizagem. As produções demonstram síntese, transposição de linguagens, criatividade e engajamento estético, confirmando a hipótese de que práticas baseadas em gêneros textuais digitais ressignificam a leitura literária, tornando-a mais acessível, instigante e formativa. Observou-se, ainda, consonância entre as propostas e as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2017), especialmente no que se refere ao uso crítico e ético das tecnologias digitais, à centralidade do texto e à promoção de práticas multissemióticas. Conclui-se que propostas pedagógicas que integram literatura e cultura digital constituem caminhos efetivos para fortalecer a formação leitora e renovar o ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica.
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